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Estrutura e Contemporaneidade

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Estrutura e contemporaneidade : o pai e o sintoma  no tempo social e no tempo de análise[1] [2]

Luciano Elia[3]

É Lacan que nos indica que o analista deve se ocupar das questões de sua época, com o que concordamos sem hesitação, pois o inconsciente, já em Freud, mais ainda com Lacan, não é uma essência que atravessa, intangível, o tempo e a história, a política e as questões sociais.

No entanto, é precisamente neste ponto de articulação da psicanálise e da cultura que reside o maior e o mais grave risco de descarrilhamento discursivo e babaquice (déconnage, para usar aqui um neologismo caro a Lacan, ou seja, uma baboseira, um besteirol – um discurso frágil e facilmente desmontável). Não é raro ouvir os analistas lacanianos, numa visada precipuamente sociologizante e também moralizante (pois uma leitura, por ser sociológica nem por isso é também e forçosamente moralista) denunciarem o que consideram uma degradação na vida das pessoas que seria própria à contemporaneidade, resultante, segundo eles, da queda do nome-do-pai, o famoso declínio do nome-do-pai de que nos fala Lacan, como se este declínio em Lacan não fosse uma operação interna ao discurso e à experiência analítica, um efeito de análise conduzida aos seus passos mais avançados, e que corresponde, na doutrina, à pluralização dos nomes-do-pai e suas consequências. O corolário disso é a afirmação da prevalência do gozo, imediato e indefectível, sobre o desejo no mundo atual, oposição cujo mote imaginário e ideológico é suficientemente evidente, pelo fato de polarizar estas duas categorias (desejo e gozo) como o bem e o mal, como se «bem» e «mal» (entre aspas) não fossem constitutivos, por estrutura, do desejo e do gozo, a um só tempo, como se um sujeito neurótico fodido e mal pago não o fosse por obra de seu desejo inconsciente, que o comanda e o faz enfiar-se até o pescoço num gozo que lhe é o mais devastador, ou como se um desejo que lhe resulta em uma boa satisfação pulsional não merecesse o atributo do mais exuberante dos gozos!

 

 

Os analistas pressurosos em denunciar a contemporaneidade como uma má época estão sempre prontos, em sua impotência, a lamentar o que se lhes afigura como uma impossibilidade de colocar a prática psicanalítica « em um mundo como este ». Ora, é justamente aí que, mais do que nunca, precisaria haver analista à altura de agüentar o tranco, sustentar seu ato e sua palavra, seu discurso e fazê-los incidir sobre os modos atuais de sintomatizar, de demandar, de desejar e de gozar.

O que temos diante de nós são modos particulares, estes sim próprios à contemporaneidade, de resistência dos próprios analistas à psicanálise, como de fato sempre existiu, masque precisamos apontar.

O ato psicanalítico não pode depender das condições sociais, porque suas condições são as da estrutura, ou seja, do discurso. A relação estabelecida por Lacan entre estrutura e laço social, e articulada como um discurso sem palavras, deixa bastante claro que o ponto de ancoragem de toda articulação possível destes dois campos – a psicanálise e a cultura, a sociedade – deve  situar-se em um plano lógico diverso daquele em que se faria a mera aplicação das categorias conceituais de um campo para outro, o que constituiria, respectivamente, por um lado, a mais ingênua psicanalização da sociedade e, por outro, a sociologização da psicanálise, ou, para nomear por um nome que fez escola, o culturalismo, que sempre foi objeto de tentativas e tentações de analistas de todas as gerações (o culturalismo tampouco é uma novidade, não é exclusivamente contemporâneo, ele se reedita de tempos em tempos). Lacan se colocou em guarda e nos advertiu contra isso em diversos momentos de seu ensino, especialmente quando se empenhava em promover a ordem simbólica, (que é evocada pelos nostálgicos do nome-do-pai agora  degradado), a ordem do significante na experiência do homem, o ser falante, porque ele teme, e com razão, que esta promoção possa levar a uma postura culturalista por falta de rigor.

Precisemos que esta promoção da relação do homem com o significante como tal nada tem a ver com uma posição « culturalista » no sentido corrente do termo [...]. Não é da relação do homem com a linguagem como fenômeno social que se trata, e nem mesmo de uma questão de algo que se pareça com a psicogênese ideológica que conhecemos e que não chega a ser superada pelo recurso peremptório à noção totalmente metafísica, por sua petição de princípio de apelo ao concreto, que é derrisoriamente veiculada sob o nome afeto. (Lacan, A significação do falo, Escritos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1998 : 696).

A afetização não barra a ideologização : nem a ideologia social com seu correlato psicológico nas ideações do eu, nem o afeto pretensamente essencial e livre dos constrangimentos sociais da ideologia são capazes de dar as coordenadas do inconsciente freudiano, esta outra cena cujas leis regentes devem ser retomadas a partir da palavra de Freud, para « reencontrar [...] os efeitos que se descobrem no nível da cadeia de elementos materialmente instáveis que a linguagem constitui» (ibid. : 696).

Tomar em ato o inconsciente freudiano implica pois abster-se dessas interpretações culturalistas-moralistas segundo as quais o mundo presente, o nosso tempo seria menos receptivo que qualquer um outro à psicanálise. Se a psicanálise é um sintoma do mundo atual (e aqui deve-se considerar o tempo e a história da civilização, mas de forma alguma ao modo culturalista) ou, nas palavras de Lacan, « o ponto do tempo a que chegamos com tudo  isso », que pode, como tal, desaparecer como tal, e marselhesamente expirar como « o triunfo e a glória » da religião, não será por causa desta vil contemporaneidade, e essa possibilidade de desaparecimento sequer deve ser considerada lamentável.

Queremos, partir destas primeiras colocações cujo objetivo é construir uma clara direção discursiva para o que desenvolveremos a seguir, trazer algumas notas sobre a estrutura, a temporalidade, o pai e o sintoma.

Para começar pela temporalidade na estrutura, tomaremos a Observação sobre o Relatório de Daniel Lagache : « Psicanálise e estrutura da personalidade », Lacan, 1960. Neste trabalho Lacan apresenta a estrutura do significante como a única  no mundo que pode suportar a coexistência da relação da desordem com a ordem (nesta ordem) como respectiva à relação da sincronia com a diacronia. A sincronia do significante é um conjunto de elementos discretos, computáveis e intercambiáveis, mas que nem por isso são necessariamente ordenados, ou melhor : em sincronia eles estão forçosamente em desordem, mas esta desordem constitui precisamente o fundamento mesmo de uma ordem absolutamente rigorosa e indestrutivel que subsiste na diacronia – ordem a ser concebida como sucessão, ordinalidade, e não como uma organização, um corpo, ou até mesmo conteúdo consistente. O que é ordenado, associativamente, na diacronia, depende das condições estruturais da desordem da sincronia. Esta relação entre desordem e ordem, nesta ordem, não é de modo algum trivial, e, repetindo a advertência de Lacan, é um relação exclusiva do significante, a única estrutura no mundo capaz de suportar essa coexistência. A ordem a mais indestrutível (que nos evoca o desejo indestrutível que Freud atribui ao inconsciente através do sonho, e com a qual conclui a Traumdeutung – construída sobre os traços do passado e projetada no futuro atravessando a vida toda como um só e mesmo desejo – Ebenbild), enfim, esta ordem mais indestrutível que se desdobra na diacronia (a metonímia) só o é por ser determinada pela desordem sincrônica da comutatividade significante.

No eixo traçado por este mesmo vetor – a estrutura do significante e suas relações com a temporalidade – mas em outro escrito, lemos que o significante é a causa sem a qual « não haveria algum sujeito no real » (Lacan, Posição do inconsciente no Congresso de Bonneval, 1964, escritos, Rio de Janeiro : Jorge Zahar, Ed., 1998 : 849). O sujeito « não é causa dele mesmo, mas traz em si o verme da causa que o cinde » (ibid). O sujeito « é absolutamente nada » antes que ele (o primeiro significante que é a sua causa) se enderece a ele e que, por este fato, ele desapareça sob o segundo significante, aquele para o qual o primeiro o representa. « Mas, continua Lacan, esse nada se sustenta por seu advento, produzido agora pelo apelo, feito no Outro, ao segundo significante » (ibid : 849). O sujeito está referido a dois modos de nada: o primeiro, nada absoluto, e o segundo, um nada sustentado pelo advento do sujeito por um apelo feito no Outro

O sujeito assim causado, entre estes dois modos do nada totalmente diferentes em função da intervenção do significante que ocorreu entre eles  « traduz uma sincronia significante essa pulsação temporal primordial que é o fading constitutivo de sua identificação ». Traduzir a sincronia (a mesma que no primeiro escrito que tomamos, Lacan identificou à desordem) em pulsação temporal primordial – atenção – isso ainda não é a diacronia, mas sim o fading, a afãnise do sujeito, seu recalcamento originário em S2. Estamos ainda no primeiro movimento, a alienação, para nomear por seu nome, que, entretanto, não é empregado por Lacan nesse escrito, mas que abunda no seminário que é seu correlato, o seminário XI, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Traduzir uma sincronia em uma pulsação temporal é o passo que precede e prepara o segundo movimento, a separação do sujeito em relação ao Outro. Citemos Lacan :

Mas no segundo [movimento], o desejo[4], fazendo seu leito no corte significante em que se efetua a metonímia, a diacronia (chamada « história») que se inscreveu no fading retorna à espécie de fixidez que Freud atribuiu ao voto inconsciente (ultima frase da Traumdeutung). (Ibid : 849)

Pode-se ler claramente no escrito de Lacan que a diacronia, chamada de « história », que entra em jogo no segundo movimento, inscreveu-se no fading do primeiro movimento. O fading inscreve a história, é pelo efeito do recalcamento originário que a história se inscreve, e que se desdobra a ordem do desejo e da fixidez (característica indestrutível do desejo inconsciente). Estamos assim no cerne de uma antinomia lógica da qual se pode dizer que ela é crucial : a História, o movimento diacrônico, onde em uma lógica trivial, estaríamos no direito de esperar as transformações, o advento do novo, o que encontramos é a rigidez, fixidez do desejo, o mesmo (Ebenbild). Em contrapartida, na sincronia, onde, de acordo com a mesma lógica tradicional, estaríamos no direito de tomá-la como fixa, instantânea, imutável, encontramos, na lógica do significante, abertura à mais intercambiável comutatividade do inconsciente, único caminho possível para o sujeito do inconsciente que se sabe efeito da fala «por não ser outra coisa senão o desejo do Outro ». A sincronia reabre à mobilidade do novo. Essas observações deveriam advertir os analistas (e os analisantes) que, ingênuos, mas não inocentes e sobretudo muito equivocados no rigor de Lacan, celebram leviana e precocemente seus « movimentos » de separação do Outro (aqui tomado como suas análises) o que muitas vezes precipita interrupções da análise tomadas como fim de análise, que não seria nada mal, em meio ao « festival de separação » retomar a aspersão de uma nova onda de alienação que lhes poderia abrir o inconsciente e seus benditos efeitos propiciados pela sincronia da fala.

Essas relações entre sincronia e diacronia, que ocorrem apenas na lógica do significante, evocam uma metáfora de Freud, que sempre foi um lógico de primeira grandeza. Para explicar o processo do sofrimento mental em sua XXXIª Conferência da série das Novas conferências sobre a psicanálise, intitulada A dissecção da personalidade psíquica, Freud diz :

Se atirarmos ao chão um cristal à terra, ele se parte, mas não em pedaços ao acaso. Ele se desfaz segundo as linhas de clivagem, em fragmentos cujos limites, embora fossem invisíveis, estavam predeterminados pela  estrutura do cristal. (Freud, Novas conferências introdutórias sobre psicanálise, 1933[32], Conferência XXXI – A dissecção da personalidade psíquica, Edição Standard Brasileira, Vol. XXII, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1969, p. 77)

Trata-se, aí, de uma estrutura, no sentido mais preciso do termo : uma estrutura significante cuja sincronia contém, ainda que em desordem, a ordem invisível que se revelará na diacronia. Não há, ao que nos parece, nenhuma outra maneira de captar os movimentos, as relações, os avanços e os retrocessos do discurso analítico no mundo contemporâneo.

O mundo contemporâneo – dissemos, ou seja, o nosso tempo. No momento de seu ensino que é, de todos, o mais marcado pelo espírito dialético que não cessamos de encontrar em um primeiro grande ciclo de seus escritos, Lacan fala da «obra do psicanalista» em termos muito incisivos :

Que renuncie a isso, portanto, quem não conseguir alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época. Pois, como poderia fazer de seu ser o eixo de tantas vidas quem nada soubesse da dialética que o compromete com essas vidas num movimento simbólico. Que ele conheça bem a espiral a que o arrasta sua época na obra contínua de Babel, e que conheça sua função de intérprete  na discórdia das línguas. Quanto às trevas do mundus ao redor do qual se enrosca a imensa torre, que ele deixe à visão mística a tarefa de ver elevar-se ali, sobre um bosque eterno, a serpente putrefaciente da vida. (Lacan, Função e campo da palavra e da linguagem em psicanálise. Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1998 : 322 ).

Um psicanalista não é alguém que opere uma função « privada », no sentido em que este termo converge com o plano do individualismo ou do indivíduo isolado, as relações ditas « a dois », e inclusive os caprichos da elite. Não, a psicanálise não é tributária do individualismo. O intimo não é o privado, e podemos até mesmo sustentar que a estrutura transindividual do inconsciente, como Lacan sugere em seu Seminário XI, convoca o registro do público, que é para todos, « acessível e aberto a todos». O inconsciente não pertence ao repertório do « privado » porquanto este deriva de um recorte  artificial e imaginário do Outro Social, definido por um sentido conhecido ou convencionado e partilhado por alguns poucos. O inconsciente não é um privilégio – o que resulta de uma lei (legis) do privado (privi). A indispensável dimensão de liberdade que o analista é em relação a questões comerciais e de mercado atestam antes de sua posição marginal em relação à ordem social e econômica que de uma submissão à esta ordem da qual ele seria beneficiário.

Na segunda lição do seminário XVI – De um Outro ao outro – Lacan dirá que a estrutura é o real (O Seminário, Livro XVI, de um Outro ao outro (1968/69, Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed.,  2008 : 30). Lacan está no curso de um movimento de discurso que opera a redução do Outro, movimento sem retorno: de um Outro ao outro, prenhe de conseqüências. O que eu digo postula a estrutura, porque visa, como afirmei da ultima vez, a causa do próprio discurso » (ibid, 31). Estabelecer o discurso de forma diferente desta não será um procedimento psicanalítica. A questão que se coloca para a psicanálise é, a partir disso, a de saber se ela existe ou não existe” (ibid.: 31) Existir é algo que serve para durar, consistir. Mas, mesmo se não é seguro que a psicanálise “exista”, « há por outro lado uma coisa pela qual ela se afirma indiscutivelmente. É que ela é o sintoma do ponto do tempo a que chegamos no que chamarei, com uma palavra provisória, de civilização. » (ibid :31)

A psicanálise é um sintoma da civilização. Isso não significa que a psicanálise teria que se conformar á cultura, tomar suas formas, submeter-se às condições sociais para responder a elas e perguntar-se : « como ser analista em um mundo capturado pelo gozo imediato, que elide a autoridade parental, que recusa a « lei » ?

A partir de um dado momento de seu ensino (momento que é o corolário de um trabalho muito árduo de ser colocado em curso através dos seminários que se seguiram ao Seminário XI, ou seja, o ano de 1965-1969, Lacan já não pode manter a posição que ele sustentava no Seminário V (As formações do inconsciente), aquela de que a lei é :

aquilo que se articula propriamente no nível do significante, ou seja, o texto da lei [...] Com efeito, o que autoriza o texto da lei se basta por estar, ele mesmo, no nível do significante. Trata-se do que chamo de Nome-do-Pai, isto é, o pai simbólico. Esse é um termo que subsiste no nível do significante, que, no Outro como sede da lei, representa o Outro. É o significante que dá esteio à lei, que promulga a lei. Esse é o outro no Outro. (O seminário, Livro V, 1957/58 – As formações do inconsciente, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 152)

Neste ponto de virada de seu ensino, é-lhe preciso colocar que o simbólico não pode suportar o simbólico, o significante não pode autentificar, por ele mesmo, o estatuto da lei. É assim que, em seu seminário XVII (O avesso da psicanálise), repelindo a tese (também da universidade, porque tinha sido defendida perante uma banca de tese) que a castração seria uma fantasia, Lacan afirma:

O que está no lugar do real, a castração, « é a operação real introduzida pela incidência do significante, seja ele qual for (e não necessariamente o significante nome-do-pai, como era antes), na relação do sexo. E é óbvio que ela determina o pai como esse real impossível que dissemos ».(O Seminário, Livro XVII, 1969/70, O avesso da psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed,, 1992 : 121)

A castração é a operação do pai real que produz a causa do desejo (« não há causa do desejo que não seja produto desta operação » (ibid : 121). A castração não se coloca portanto no nível da fantasia, e a fantasia é que domina toda a realidade do desejo, isto é, a lei ». (ibid :121). A lei torna-se, neste momento da elaboração analítica de Lacan, coextensiva da realidade do desejo e da fantasia, coloca-se neste nível, que não é o nível da causa, ou o lugar da castração. Esta disjunção entre lei e castração é crucial, pois é o que faz com que a castração ocupe o lugar primordial na estrutura em relação ao pai simbólico (o nome-do-pai) e em relação à lei. No lugar de um significante primordial supostamente capaz de assegurar a lei, é uma outra topologia, a dos nós – ou seja, uma topologia que não poderia privilegiar um dos três registros em detrimento dos outros – que será posta em primeiro plano. Resulta disso a inexorável pluralização do nome-do-pai, reescrito non-dupes errant.

Um sintoma é o que responde a um certo real. Se a questão é a de saber se a psicanálise existe é porque ela não existe como uma entidade de saber, e, tal como o sujeito – que não é um ente mas um ser falante, um ser que só se realiza desaparecido, abolido sob seu próprio dizer – a psicanálise só é em ato, o ato do analista. Face ao mundo contemporâneo, não cabe perguntar « como é que podemos analisar ? ». As questões deste tipo não derivam da posição do analista em seu discurso, que o levaria antes a intervir, de sua posição de objeto mais-de-gozar em função da causa do desejo ao lugar do semblante e interrogar o sujeito que goza e que deseja segundo essas formas e particularidades que se apresentam hoje. O analista, portanto, hoje como  sempre – e talvez mais do que nunca – para relançar o seu ato, o ato analítico, o único capaz de dar à psicanálise seu particular modo de existência.

Obrigado pela atenção.

Rio de Janeiro, outubro 2011

ÌÌÌ



[1] Trabalho dirigido ao CORREIO DA APPOA, a convite de seus Editores, como parte de uma convocação preparatória feita por esta instituição para o V Congresso Internacional de Convergencia, a realizar0se na cidade de Porto Alegre de 21 a 24 de junho de 2012 sob sua organização, com o tema “O Ato Psicanalítico: suas conseqüências clínicas, sociais e políticas”, tema no qual o que se desenvolve nessas páginas se insere.  Este trabalho foi inicialmente apresentado no II Colóquio Franco-Brasileiro de Psicanálise, realizado em Lyon, França, nos dias 11 e 12 de novembro de 2011, sob os auspícios das instituições convocantes de Convergencia, Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana. Da França : Analyse Freudienne, Dimensions de la psychanalyse, FÉDÉPSY, e, do Brasil: APPOA - Associação Psicanalítica de Porto Alegre, IPB - Intersecção Psicanalítica do Brasil, LAEP - Laço Analítico Escola de Psicanálise, Práxis Lacaniana Formação em Escola

[2] O presente trabalho foi escrito originalmente em francês, sob o título Structure et contemporanéité: le père et le symtôme dans le temps social et dans le temps de l’analyse, e a presente versão em português, revisada pelo autor, é de Vânia Beatriz Conde Moraes, psicanalista, membro do Laço Analítico Escola de Psicanálise (Brasil).

[3] Psicanalista, membro do Laço Analítico Escola de Psicanálise (Brasil), instituição membro de Convergencia, Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana.

 

 

[4] Viva! O desejo finalmente faz sua aparição pela primeira vez no texto. Observemos que o desejo só entra na abertura do segundo movimento, permanecendo eludido no primeiro.